Em São Paulo, um projeto traduz a experiência de viver em uma casa para o universo vertical, integrando arquitetura, arte e design brasileiro contemporâneo
Apartamento Alba: viver com amplitude
No coração da cidade, o Apartamento Alba surge como um manifesto de elegância e generosidade espacial. Com 963 m², o projeto, que leva a assinatura da arquiteta Fernanda Marques, recria a experiência de viver em uma casa no contexto vertical, preservando amplitude, luminosidade e conforto, agora aliados à segurança de um edifício. Criado para um cliente que valoriza os momentos em família e entre amigos, amante da música e das artes, o apartamento reflete suas referências, equilibrando expressão e acolhimento.
Considerada essencial ao projeto, a implantação partiu da necessidade de criar ambientes fluidos e permeáveis, sempre conectados à luz natural. Assim, as áreas de estar, tanto no primeiro pavimento quanto no superior e no terraço, foram ampliadas e integradas, reforçando a sensação de liberdade. O pavimento superior, construído especialmente para atender às novas demandas da família, apresenta grandes aberturas e caixilhos minimalistas que garantem uma atmosfera leve, além de ventilação cruzada permanente.
O acesso se dá pelo elevador social, que conduz diretamente ao living, de onde se descortina a vista panorâmica do skyline paulistano. A sala de jantar, logo ao lado, articula-se com as áreas íntimas por meio de uma porta discreta que leva aos quartos e às duas suítes master. O home theater, isolável quando necessário, completa o primeiro nível da habitação. Concebido como espaço de convivência, e endereço de um consistente acervo de obras de arte, o segundo pavimento é acessado por uma escada circular.
No amplo terraço, a atmosfera é de pura contemplação. A piscina reflete o céu paulistano e se integra ao estúdio de música, ao ofurô e ao home office, configurando um conjunto que privilegia a convivência sem abrir mão da privacidade. “Em sua essência, é um espaço marcado pela fluidez entre áreas internas e externas, que traduz bem a ideia de uma casa suspensa, como era desejo do meu cliente: leve, acolhedora e permeada pela presença constante da natureza e da luz”, pontua Fernanda.
A estrutura, longe de ser ocultada, é celebrada como elemento estético. Daí a viga encapada em acrílico no living, representando, de forma emblemática, a intenção da arquiteta de fazer coincidir técnica e arte. Tomada como fio condutor do projeto, a luz natural percorre livremente todos os ambientes, enquanto a iluminação artificial, cuidadosamente estudada, foi desenhada de forma difusa e intimista, permeada por pontos de brilho estrategicamente posicionados para valorizar o acervo artístico.
A curadoria das obras de arte é outro ponto alto do projeto. O acervo, que reúne nomes como Le Parc, José Patrício, Palatnik, Lescher e Zerbini, foi pensado em cada detalhe para dialogar com a arquitetura e com as peças de mobiliário brasileiro contemporâneo que compõem os diversos espaços da residência. Cada obra ocupa seu lugar como protagonista silenciosa, criando uma narrativa visual que acompanha os moradores em seus rituais cotidianos e reforça a integração entre vida e arte.
Digno de nota, o mobiliário assinado por nomes como Jader Almeida e Lucas Recchia, entre outros, reforça o enfoque autoral do projeto de interiores, que se propõe a dialogar diretamente com a arquitetura. Esta, por sua vez, equilibra contemporaneidade e acolhimento por meio de dois materiais primordiais: o mármore travertino, com sua textura natural, porosa e elegante, e a madeira, que, em contraste evidente, surge farta nos painéis e forros, promovendo uma atmosfera sensorial e convidativa.
“Ampliar as condições de transparência e conforto originais do imóvel foi a forma que encontramos para superar nosso maior desafio: traduzir a experiência de viver em uma casa para o cotidiano de um apartamento”, considera Fernanda, para quem o Alba é mais do que um projeto concluído. “Trata-se de uma autêntica celebração da vida em família, da música e da arte. Um espaço que acompanha o ritmo de seus moradores, transformando o cotidiano em experiência estética e emocional”, conclui.








