Casa Soho - Design de Interiores por Fernanda Marques Arquitetura

Na Fazenda Boa Vista, cenário de importantes residências contemporâneas brasileiras, o projeto de interiores assinado por Fernanda Marques Arquitetura estabelece um diálogo entre a arquitetura original de Felipe Diniz e a atmosfera dos lofts industriais de Nova Iorque. Um exercício de contraste em que luz, materialidade e mobiliário reinterpretam o espaço sem competir com sua essência.

Desenvolvida para um cliente recorrente do escritório, a residência nasceu de um pedido pouco convencional. Após a primeira casa de lazer concebida por Fernanda Marques no mesmo condomínio, o cliente buscava uma atmosfera mais urbana, industrial e autoral, inspirada nos lofts nova-iorquinos. A confiança construída ao longo dessa relação abriu espaço para uma investigação estética diferente da linguagem predominante do escritório.

O partido parte da leitura da arquitetura existente. A tipologia de celeiro, os volumes e o tijolo aparente permanecem como protagonistas, enquanto o projeto de interiores introduz uma nova camada de interpretação. Grafite, metais, iluminação cênica e uma paleta mais densa aproximam a residência do universo industrial, estabelecendo um contraponto preciso entre a robustez da construção e uma linguagem contemporânea.

“Sempre me interessa quando a arquitetura permite uma nova leitura do espaço sem apagar sua história. Neste projeto, o desafio foi justamente construir uma atmosfera completamente diferente a partir daquilo que já existia.”, afirma Fernanda Marques.

O layout organiza a casa a partir da experiência de chegada e da convivência. O hall de pé-direito duplo ganha escala por meio da iluminação. No living, o sofá Landscape, assinado por Fernanda Marques para a Breton, ocupa posição central na composição e reforça o gesto de acolhimento logo na entrada. Sala principal, home theater, jantar, adega, cozinha e terraço estabelecem relações contínuas, enquanto a churrasqueira deixa de funcionar como um anexo e passa a integrar a rotina da residência. A piscina introduz um contraponto de leveza à densidade material dos interiores.

A iluminação assume papel central na narrativa do projeto. No hall, valoriza a verticalidade; no lavabo, transforma a pedra natural em elemento escultórico; nas áreas sociais, desenha profundidade e acolhimento. A ventilação cruzada e a insolação, já previstas pela arquitetura original, permanecem preservadas, reforçando a permeabilidade entre os ambientes internos e externos.

Parte do mobiliário já integrava o acervo do cliente e contribuiu para consolidar a atmosfera industrial pretendida. As novas peças equilibram a robustez dos materiais com desenhos leves e autorais, enquanto a curadoria de arte reforça a identidade contemporânea da residência sem competir com a arquitetura.

Mais do que uma mudança estética, a Soho House propõe uma nova interpretação da arquitetura existente. Um projeto que demonstra como luz, materialidade, layout e curadoria têm o poder de transformar a percepção dos espaços, preservando sua identidade e ampliando a experiência de habitar.